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riscos_e_rabiscos

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Um Dia A Cama Vem Abaixo!

 

 

Já era tarde e, depois de terminarmos de ver um filme, fomo-nos deitar. Enfiamo-nos na cama, batemos palmas intimamente porque os sacanas dos vizinhos do outro prédio não se esqueceram da água do autoclismo ligada, e fechámos as nossas pálpebras com um sorriso no rosto, as mãos dadas e a felicidade no coração. Mas isto durou pouco tempo…

 

Começámos a ouvir uns ruídos estranhos… Mas que raio…?! Calámo-nos e ficámos a escutar… nheck nheck para aqui… nheck nheck para ali… Eram uns sons fantasmagóricos, de casa mal assombrada. Ainda nem sequer é Halloween… Seria uma porta ou uma janela mal fechada? Não. E foi aí que percebemos o que era. Ah pois é!

 

Nheck! Nheck! Nheck! E nunca mais acabava. Eu e o N. estávamos à espera, a qualquer momento, de ouvir um estrondo brutal. Não é por nada mas o casal que está a viver na casa por baixo de nós, neste momento, são duas almôndegas XXXXL, ou seja duas bolinhas de carne.

Pelos vistos a cama deve ser feita de contraplacado pois a coitada gemia que se fartava e os parafusos pareciam remadores de kayake em sincronia, para trás e para a frente. A parede também já não estava a apreciar esta empreitada e encarava a coisa comportando-se como um rochedo intransponível.

 

A velocidade aumentava, o nheck nheck apressava-se desesperado até que se sentiu uma pausa e o barulho do vapor a descarregar – Puuuu!* Depois a empreitada continuou ao mesmo ritmo. Finalmente, a calmaria…

 

Passados alguns minutos, voltamos à empreitada furiosa. Ó valha-me Deus que esta noite não dormimos! Nheck! Nheck! Nheck! Ai que é agora que a cama se desmancha! – Pensámos nós ao mesmo tempo que preparávamos os dedos para enfiar nos ouvidos, na tentativa de minimizar o susto. Mas a cama lá resistiu estoicamente, os parafusos recuperaram as forças, a parede serenou e instalou-se o sossego. Todo o prédio pode, finalmente, adormecer após uma noite de tanta tormenta.

 

*Uma ventosidade anal potente!

Resolução Do Enigma

 

Um jovem casal apaixonado, desejando viver a urgência do seu amor, atravessa a penumbra da noite. Dirigem-se para solo sagrado, onde procuram refúgio e protecção. Vítimas de um amor esconjurado pela família, trocam juras de amor eterno.

 

Sob a bênção dos deuses, oferecem-se os seus corpos e almas. Dessa fusão entre o amor de dois seres, rogam à deusa sua protectora, que lhes dê um fruto, símbolo da sua união eterna.

 

 

Estavam a gostar, era? Esta foi apenas uma mini-história ficcionada por mim para justificar o “Enigma Cor-De-Rosa”.

Percorria eu uma rua do santuário de Fátima quando, descuidadamente, ia pisando a tal coisinha cor-de-rosa. Fiquei de boca aberta pois jamais esperaria encontrar uma coisa daquelas ali, naquele lugar, e muito menos… ao lado do caixote do lixo!

 

Pois bem, caros/as bloguistas, a tal coisa cor-de-rosa era nada mais, nada menos do que um… preservativo usado!!!!!!

 

Bom, temos de ver a perspectiva positiva das coisas não é? Ora vejamos: pelo menos deve ter sido sexo seguro (pois deve ter sido em cima do caixote do lixo); ou alguém estava a cumprir alguma promessa, ou então foi alguma estreia…

 

Bom, só me ocorre dizer que foi uma q…. abençoada!

 

 

Para Pensar e Comentar.

 

Todos aqueles que me visitam já devem ter lido algumas vezes nos meus posts uma das frases que muitas vezes profiro: as relações humanas são muito complicadas.

E são-no, efectivamente. Cada vez mais constato isso.

 

Depois de uma conversa sobre vários tipos de relacionamentos, ficaram a bailar-me algumas coisas na cabeça.

 

É certo que ninguém tem a fórmula certa para um relacionamento perfeito – e até que ponto um relacionamento perfeito, não seria terrivelmente aborrecido? – mas existem atitudes e comportamentos que podem levar um relacionamento a bom porto.

 

E o busílis da questão é o seguinte:

Num relacionamento, deve viver-se apenas um para o outro?

(Ter apenas olhos um para o outro, colocando amigos e família num plano muito afastado? Basear a relação em “eu sou tua e tu és meu” e não nos interessa e nem precisamos do resto do mundo?)

 

Num relacionamento, deve cada um viver a sua vida, vivendo uma vida conjunta?

(Cada um tem liberdade para fazer o que quiser, respeitando o relacionamento mas não se fechando dentro dele, mas caminhando os dois lado a lado para um futuro conjunto?)

 

Vamos lá a puxar pelos neurónios e a partilhar comigo qual é a vossa opinião sobre este assunto.

 

 

Até Parecia Mentira


 

 

Finalmente passei um fim-de-semana bem calmo, ao contrário do anterior. Já há muito tempo que não sentia esta tranquilidade.

 

E esta tranquilidade deveu-se nada mais, nada menos, à ausência do meu vizinho do lado. Do lado dele vinha apenas… o silêncio! E de vez em quando um miado de solidão.

 

O fulano anda cada vez mais destrambelhado. Acho que lhe está a fazer falta a presença feminina. A grande questão é: onde está a mulher dele? Desapareceu sem deixar rasto. Será que foi abduzida? Será que o abandonou? Está de férias (muuuito prolongadas) com amigas? Está a trabalhar fora do país? E porque não vai ele ter com ela aos fins-de-semana? E porque não vem ela a casa no fim-de-semana? Muuuito esquisito!

 

Mas como eu disse acima, a falta da presença feminina está a fazer tilt no único neurónio que o fulano tem. Diria mesmo que tem o system down!

A solidão fá-lo meter-se nos copos ou fumar umas ganzas (ou os dois) e depois perde a noção da realidade. O fim-de-semana passado tinha música em altos berros até às 3 da manhã.

 

Agora perguntam vocês: e não lhe foram lá bater à porta? E eu respondo: Não!!!

Esperem, não tirem já conclusões precipitadas…

Que fariam vocês se o meu vizinho fosse vosso, se já lhe tivessem pedido de joelhos para não pôr a música tão alta (ainda por cima o subwoofer está todo roufenho), se lhe tivessem mostrado a vossa própria casa quando ele tem a música em altos berros, tendo ele reconhecido, sempre, que nós tínhamos razão?

 

Fariam o mesmo que eu fiz: chamei a polícia!!! E aproveitei a onda e mandei uma sms ao administrador a avisar que se isto continuasse, iria solicitar uma reunião extraordinária.

Mas parece que está tudo mancomunado com o zombie! O zombie não liga pevas ao que lhe dizemos e quanto à polícia… lol!... nem se dignaram a aparecer apesar das suas palavras a tentar convencer-nos que iam acabar com aquilo para o resto da vida.

O administrador, esse então, nem se deu ao trabalho de responder à minha sms. E eu até sei porquê… é que são muito “amiguinhos”…!

 

 

Só vos digo que este silêncio nos soube que nem ginjas! Aquele som do silêncio… a calmaria da porta do vizinho… a solidão do último andar… Que maravilha! 

 

De(s) Privacidade Pessoal

 

 

 

                       

 

 

Saí com a minha mãe e no caminho ela vinha a comentar comigo o que se passa entre uma vizinha minha e o marido, os maus hábitos que se criaram ao longo de tantos anos de casamento e que lhe cerceiam os movimentos. E que ela agora reconhece que são uma invasão à sua privacidade e que nunca deveria ter permitido.

 

O marido sempre foi muito “comichoso”, sempre se incomodou com tudo e com nada. Sempre muito mesquinho em determinadas coisas e muito cioso de tudo. Principalmente no que dizia respeito a ela e à casa.

Ela trabalhava em casa como costureira, assim como a minha mãe. E eram daquelas que trabalhavam à bruta, tipo terem de fazer 30 pares de calças por dia, daí hoje estarem todas cheias de mazelas. Quantas vezes não ajudei eu a minha mãe nestas maratonas: ela a cozer e eu a orlar e a fazer bainhas à mão!

Mas vamos ao que interessa. O marido da minha vizinha tinha o bom hábito de a ajudar em casa, mas a idade veio e as mazelas também e foi deixando de dar uma mãozinha nas tarefas domésticas. Mas não perdeu o hábito de meter o bedelho em tudo.

 

Ambos reformam-se e aí chega a grande desgraça dela. Perdeu toda e qualquer liberdade e privacidade. Começa a ter o controlo de todos os seus passos. Se vai à rua, ele tem de saber onde, porquê vai e quanto tempo demora. Se demora  mais um pouco porque encontrou alguém ou teve de ir a outro lado porque ali não encontrou o que precisava. Ao chegar a casa, vai ter de arranjar um rol de explicações.

 

Se formos a casa deles fazer uma visita, não há privacidade porque ele também quer participar da conversa e, pior, monopolizá-la com a descrição das suas maleitas. É claro que ele tem todo o direito de participar na tertúlia mas poderia ter a sensibilidade (que poucos homens têm) de perceber que há coisas que são conversas só entre mulheres. Os homens por vezes não aceitam e não compreendem que há coisas estritamente femininas e que são faladas só entre nós. E não tem a ver com segredos ou não querer partilhar com eles. É mesmo assim, faz parte da nossa condição feminina. Tal como se passa o mesmo com eles.

 

Depois surgiu a mania terrível de lhe sacar a mala e revistá-la e revira-la de uma ponta à outra. E porque tens isto na mala? E este papel é de quê? E pra que queres isto aqui? Porque tens este dinheiro aqui escondido? Blá blá blá!

E o mesmo se passa com a carteira. Ah e tem de dar conta de todos os cêntimos que gasta. A pobre mulher tem alturas que está completamente desnorteada com tanto controlo. É que este tipo de coisas arrasa mesmo connosco. É a pressão psicológica, o “medo”, o saber que não temos privacidade.

Acreditam que muitas vezes ela quer falar com a filha determinados assunto e não quer que ele oiça, por isso vai para casa da minha mãe falar?

 

Ela hoje está arrependidíssima de ter permitido que isto acontecesse. E a filha e as netas zangam-se com ela por permitir que isto aconteça. Mas eu acho que ela desistiu. Há uns tempos atrás quando não estava tão doente, até equacionou o divórcio. Mas já era demasiado “velha”.

 

Há coisas que eu não compreendo e estas são algumas delas. A minha mãe fica chocadíssima com a situação da amiga. Na minha casa nunca ninguém tocou nas coisas dos outros, sempre respeitámos o limite e a privacidade dos outros.

Eu sou incapaz de tocar ou mexer nas coisas de alguém sem autorização. Não faz parte da minha natureza. E gosto que façam o mesmo comigo.

 

Assim como a minha mãe, tenho muita pena da minha vizinha. Mas não pensem que ele é má pessoa, não. Simplesmente tem este feitio e devia ter sido “educado” de outra maneira. Vá lá que se ela for ao café comigo ou com a minha mãe, não leva descasca…

 

A Vingança Serve-se... no Prato!

 

 

 

Vocês, gaijas, preocupadas com a linha, com a saúde e o bem-estar, resolvem implementar um regime alimentar saudável e frugal nos vossos lares. Até porque o orçamento familiar começa a deixar de poder contemplar tratamentos de beleza e ao corpinho. Então ataquemos pelo lado mais saudável: pela boca.

 

À mesa só vão os cozidos e grelhados, as saladas, os legumes e a fruta como sobremesa. Aboliram as tentações, as bombas calóricas e os fritos. Isto é comida do século passado!

 

Nos primeiros tempos, a coisa é bem acolhida e o vosso gaijo até gosta muito da ideia. Depois começam os comentários “ah… hoje até comia uma arroz de tomate com um peixinho frito!”. Vocês ficam de nariz torcido mas não comentam.

 

No dia seguinte, o gajo volta a suspirar “ai que bem que me sabia uma feijoadinha agora…”! Acesso de raiva número um!“Tenho tantas saudades das tuas favas com chouriço!” segreda-vos ele ao vosso ouvido, acompanhado de um beijo molhado e peganhoso. Acesso de raiva número dois!Por fim, chega a proposta indecente acompanhado de um belo ramo de flores: “olha lá, não queres fazer uma feijoada à transmontana para sábado? Eu até vou contigo às compras…” Acesso de raiva número três!

 

Ai não te agrada a comida, é? Estás armado em esquisitinho? Então não esperes pela demora…Pegam num bloco, num lápis e na vossa imaginação fértil e elaboram uma ementa para os próximos tempos. Amor com amor se paga!!!

Ora veja, lá…

 

EMENTA 

Segunda-feira

Almoço: Cozido à Portuguesa

Jantar: Grão com Carne 

Terça-feira

Almoço: Migas com Carne de Porco à Alentejana

Jantar: Pataniscas com Arroz de Feijão

Quarta-feira

Almoço: Feijoada à Transmontana

Jantar: Puré de Castanhas com Lombo de Cebolada

Quinta-feira

Almoço: Dobrada à Portuguesa

Jantar: Ervilhas com Chouriço e Ovos Escalfados 

Sexta-feira

Almoço: Rancho à Portuguesa

Jantar: Puré de Feijão com Salsichas Enroladas em Couve

Sábado

Almoço: Feijoada de Marisco

Jantar: Chispe com Feijão Branco

Domingo

Almoço: Favas com Chouriço

Jantar: Feijão com Bacalhau e Couve

 

 

A esta ementa leve e deliciosa, resta apenas acrescentar umas recomendações: usar mola no nariz e usos de tampões auriculares durante a semana. É que a poluição atmosférica e sonora caseira vai aumentar consideravelmente.

Este post é patrocinado por desodorizantes do ar e ambientadores Ai-k-cheirinho-a-cheirete (à venda em todos os supermercados VIP).

 

Um Problema de Expressão

Esta é dedicada a ti, N ...

 

 

 

Só pra dizer que te Amo,
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.

Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

Só pra dizer que te Amo
Não sei porquê este embaraço
Que mais parece que só te estimo.

E até nos momentos em que digo que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
As palavras custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

E é tão difícil dizer amor,
É bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite, fiz esta canção,
Para resolver o meu problema de expressão,
Pra ficar mais perto, bem mais de perto.
Ficar mais perto, bem mais de perto.
 

 

Homens na Mira

 

Somos afamadas de ser complicadas, mimadas e outros predicados terminados em –adas, como por exemplo, tramadas. Somos sempre nós a pagar as favas. A culpa é sempre nossa. Aqueles clichés todos que vocês tão bem conhecem.

 

Os homens têm uma perspectiva diferente das coisas, é certo. Deve ser algo genético. O pior é quando esta questão genética se alia a um feitio, digamos, menos bom.

 

Há uma coisa, nos homens, que me irrita solenemente: são respostas parcas. Imaginem que vão jantar fora e que são vocês a sugerir o restaurante. Mas o vosso companheiro discorda. A reacção óbvia da vossa parte é perguntar:

- Porquê?

- Porque sim… - responde ele.

- Oh, diz lá porque é que não queres ir ao restaurante… - perguntam vocês meio às “aranhas”.

- Porque não!

- Hummm… Mas tens algum motivo forte para não voltares a colocar lá os pés? – tentam vocês perceber .

- Não… - responde enquanto manuseia o seu jornal desportivo favorito.

- Então e onde te apetece ir? – o vosso estômago começa a roncar.

- A qualquer lado…

- Então vamos àquele… – o desespero e a fome são aliados potentes.

- Não me apetece.

- Não te apetece? Porquê? – a paciência começa a esgotar-se.

- Porque não… - glup!

 

Pescadinha de rabo na boca. É como eu chamo a este tipo de conversa. Sinceramente, homens, digam lá que esta conversa não é típica vossa?! E com este tipo de resposta ainda acham que nós somos complicadas e chatas. Mas no fim das contas, nós só queremos compreender o porquê das vossas respostas. Custa assim tanto dizer “não me apetece porque blá, blá, blá” ou “não gosto porque blá, blá, blá”. A palavra-chave é o “porque”.

 

Este tipo de atitudes é que despoletam situações de crise entre muitos casais. Pode parecer-vos estúpido mas não é. São reveladoras de teimosias estúpidas e de uma falta de diálogo por mesquinhez. Com isto, o que acontece é que, inconscientemente ou não, vão fazendo com que as vossas companheiras se afastem de vocês, deixem de partilhar os seus pensamentos e preocupações com quem partilham a vida. É isso que vocês pretendem? Parece-me que não…

 

Sejam felizes, evitem este tipo de situação, digam às vossas companheiras o “porque” das coisas (para elas é tão importante) mesmo que para vocês ito vos pareça desnecessário.

 

Por natureza, os homens e as mulheres são diferentes. Vocês não estão dispostos  a fazer os sacrifícios que nós estamos. Mas pensem um bocadinho em nós. Prometem?

 

Fervor Sexual (Parte III)

 

 

 

                

Ao ver-se sozinha com F. na sala, C. levantou-se imediatamente do sofá. Ela circulava pela sala, fingindo que observava os objectos que a enfeitavam, tentando disfarçar o constrangimento.

F. continuava sentado no sofá a observar todos os movimentos de C., como se fosse um predador a apreciar a sua presa. Para quebrar aquele ambiente, C. resolveu iniciar uma conversa banal, sobre generalidades.

Enquanto C. estava a contar os minutos para que P. voltasse para a sala, F. desejava que aquele momento se prolongasse o mais possível no tempo.

 

Momentos depois, o par de namorados regressa à sala. Instala-se, de novo, um ambiente alegre e de conversa.

A hora já era tardia e o cansaço começava a revelar-se em cada um deles. Como é habitual nas mulheres, as duas amigas foram à casa de banho, tendo a P. aproveitado para fazer um pedido a C.: para ficarem a dormir em casa do C. naquela noite. A C. não gostou da ideia mas também não tinha alternativa, uma vez que, era suposto ela dormir em casa da P. nessa noite. Por isso, não teve outra opção senão aceder.

 

A P. iria dormir no quarto do C., como era óbvio, mas onde ficariam F. e C.? Aparentemente, haveriam apenas mais dois quartos livres: o dos pais de C. e o de hóspedes. C. explicou que F. e C. teriam de dormir no quarto de hóspedes pois no dos pais ia ser complicado e que, se não se importassem, teriam de partilhar a mesma cama. C. ficou lívida mas não se manifestou.

 

Subiram as escadas e dirigiram-se ao quarto de hóspedes. C. deu todas as indicações a C. e F. e depois de desejar uma boa noite, dirigiu-se ao seu quarto com a P. .

C. recusou-se a despir. Alegou uma série de desculpas e apenas se descalçou. Sentou-se na cama e, sem outro remédio, acabou por se enfiar debaixo dos lençóis. O frio apertava… Deitou-se bem à pontinha da cama com receio da proximidade de F., que tentou convencê-la a chegar-se mais para o meio da cama. Ela agradeceu mas disse-lhe que já era hábito dormir assim.

 

Após alguns momentos de silêncio, F. tenta estabelecer uma conversa com C. . Esta fingia estar quase a adormecer por não estar interessada em trocas de palavras àquela hora. Além daquela situação ser tão desconfortável, ainda por cima com uma pessoa que conhecia há meia dúzia de horas.

 

F. desejava-a com todas as forças do seu corpo e a proximidade dela, o seu cheiro e presença a alguns centímetros de distância, estavam a desnorteá-lo. Começaram a surgir-lhe várias ideias à mente. Ponderou uma delas e decidiu agir.

 

C. continuava imóvel no seu lado da cama. Não conseguia adormecer, Concentrava-se na respiração e movimentos de F. , expectante. O seu sexto sentido alertava-a para algo.

 

Subitamente, F. coloca o seu corpo em cima do de C. e começa a beijá-la. C. gelou, petrificou, não sendo capaz de articular um músculo, surpreendida com tal atitude. F. queria-a para si. Desejava-a como nunca desejou nenhuma mulher. Disse-lhe que a adorava, que era a mulher da sua vida. C. não acreditava no que estava a ouvir. Ele queria amá-la, ficar com ela para o resto da sua vida. Quando conseguiu articular uma palavra, C. disse-lhe que ele se estava a precipitar. Ele afirmava que não. Que nunca tinha encontrado uma mulher como ela, que nunca uma mulher o fizera sentir o que sentia por ela. Beijava-a incessantemente, com voracidade e loucura.

 

C. estava assustada. Resolveu ficar imóvel e não ofender F. . Nunca tinha passado por uma situação daquelas e não sabia como reagir. Além disso, estava numa posição muito vulnerável. Decidiu não o contrariar e corresponder à vontade dele.

 

F. começou a cair em si e a acalmar aquele comportamento louco, Pediu desculpa a C. pelos seus impulsos mas que tudo aquilo que lhe tinha dito era verdade. Acrescentou ainda que queria que C. se tornasse sua namorada. Ela ouviu atentamente e respondeu-lhe que falariam com mais calma. Pediu-lhe que dormissem um pouco pois doía-lhe a cabeça e sentia-se muito cansada. Ele concordou e aconchegou-se a ela.

C. rezava para que os minutos passassem rapidamente, para se livrar daquela situação.

 

A manhã chegou, P. bateu à porta do quarto e C. saltou da cama como se tivesse molas nas pernas. C. iria levá-las a casa. F. pediu o contacto de C. que lho deu muito renitente. Os sentimentos não eram correspondentes mas também não queria magoar F. . C. deixou que ele a beijasse mais algumas vezes até chegarem a casa. Foram feitas as despedidas e as raparigas entraram em casa.

 

“P. nunca mais me peças um favor destes!” – pediu C. – “Tu não imaginas o que passei esta noite. O F. quase que me engoliu e eu não o quero ver nunca mais… repugna-me! Além de que me fez sentir um medo que não sabia existir…”

                                                                            

                                                     THE END